
Época de reunir a família e amigos à volta da mesa para partilhar, com muita alegria, uma refeição especial vindo a celebrar o nascimento do Menino Jesus. Assim, é o Natal entre grande parte da população mundial, e varia de acordo com a religião, país, usos e costumes. Na tradição cristã, por exemplo, não pode faltar uma boa gastronomia.
Nesta quadra, Portugal não é excepção a regra . Aqui aprecia-se uma culinária própria. As pessoas seguem as tradições natalícias herdadas dos avós, embora tais tradições muitas vezes se diferenciem em cada região do país.
Na Costa Verde, região de Entre Douro e Minho, por exemplo, tem-se a aletria doce, sopa dourada, mexidos de Natal, bolinhos de jerimu, rabanadas, filhoses, sonhos.
Para a estudante Paula Carvalho, que é de Santa Maria da Feira, região centro-norte, a época natalícia é uma altura mágica e harmoniosa. Ela afirma que é tradição fazer estes doces em família, os mais novos e os mais velhos. “As receitas são da avozinha, os doces são confeccionados em minha casa. Feitas pela avó, pelas tias, pela mãe e pelos filhos. São tradições que passam de geração em geração”, destaca.
Seguindo para o interior do país, mas ainda na região norte, vamos para Montanhas, região de Trás-os-Montes, Alto Douro e Beiras interiores. Nestes lugares a Consoada assemelha-se à do Minho, com doces e fritos, principalmente, pudim de Natal, migas doces e filhós de Bragança.
Na região do Alentejo é grande a selecção de sobremesas e bolos: azevias, brinhóis, nógado, filhós e outros fritos, que polvilhados de açúcar e canela ou regados com mel, fazem a alegria das crianças e adultos que apreciam essas especialidades.
Já nas planícies férteis de Ribatejo, que juntamente com o Alentejo formam a região turística conhecida como Planícies, ceia-se depois da Missa do Galo. As broas, bolos podres e uma variedade de fritos, que nesta zona são mais conhecidos por velhoses ou coscorões, ganham destaque na mesa.
A Costa Azul, área metropolitana de Lisboa, juntamente com a península de Setúbal, sofrem muita influência das outras regiões do país, de Norte a Sul, além da Costa da Prata.
Para Luísa Carvalho, cuja família é da região metropolitana de Lisboa, a Consoada é uma festa bem rebuscada, que se assemelha bastante às festividades da passagem de ano. Nesta zona do país atracaram as tradições que dão preferência a doces conventuais à base de ovos e pelos fritos: rabanadas douradas, lampreia de ovos, sonhos, bem como o arroz doce e os bolinhos de batata-doce, conhecidos como broas de espécie e broas castelares. Estas últimas são uma boa opção com um cálice de vinho do Porto, ou licor, no final da refeição.
Nos arquipélagos da Madeira e dos Açores, as tradições natalícias têm muitas particularidades. Na Madeira, a sobremesa predominante é o afamado bolo de mel, que tradicionalmente é feito logo no início das festividades a 8 de Dezembro, e o bolo de família, que de forma semelhante é cozido com antecedência, geralmente três semanas antes do Natal. Nos Açores, tal como na Madeira o bolo de Natal tem destaque.
Apesar da forte tradição algumas pessoas acham que o Natal já não é como era dantes. Segundo Mafalda Magalhães, da região do Porto, à medida que as famílias vão ganhando mais status na sociedade, as reuniões de família ficam cada vez mais reduzidas. “Adorava ver a minha avó a fazer os doces de natal, mas agora ninguém quer aprender a fazer os mesmos e só minha tia faz alguns, e não têm o gosto de antes”.
Mesmo que a tradição tenha sofrido algumas alterações, por causa do tempo, uma sobremesa, que não pode faltar na mesa dos portugueses em várias regiões do país, é o Bolo-Rei. O bolo chegou a Lisboa por Baltazar Castanheiro Júnior, imigrante português em França, que adequou a receita as preferências gastronómicas portuguesas. O Bolo-Rei contém massa de pão levedada, que forma uma coroa, coberta de frutos cristalizados e de açúcar em pó; no miolo do bolo encontram-se frutos secos, frutas cristalizadas, passas, o brinde, a fava, etc. Reza tradição, quem encontrar a fava, tem direito a pedir um desejo, ou pagar um jantar, ou ainda comprar um Bolo Rei para a próxima vez.